'Super ranking' e metas superiores a 150%: como agiam gestores de banco condenado a pagar R$ 1,5 milhão em Ribeirão Preto

  • 12/04/2024
(Foto: Reprodução)
Valor é referente a ação indenizatória por danos morais coletivos. Relatos constam na decisão da Justiça do Trabalho, que aponta pressão excessiva e cobrança abusiva do cumprimento de metas. Setor de monitoramento do banco viu a ação dos bandidos e chamou a polícia Paulo Souza/EPTV Depoimentos de ex-funcionários do Banco Santander em Ribeirão Preto (SP) prestados ao Ministério Público do Trabalho (MPT) apontam cobrança abusiva do cumprimento de metas e grande pressão por parte de gestores de, pelo menos, 19 agências na cidade. Os relatos constam na decisão da Justiça do Trabalho, que condenou o Santander ao pagamento de indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 1,5 milhão. Siga o canal g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp A sentença foi proferida no dia 26 de março, pelo juiz José Antônio Ribeiro de Oliveira Silva e é referente a uma Ação Civil Coletiva que julgou a empresa por submeter os trabalhadores à cobrança excessiva de metas, por vezes inatingíveis, sem tomar medidas protetivas em prol da saúde coletiva. Em um dos depoimentos, o funcionário indicou ao MPT a existência de um medidor chamado de 'Super Ranking', que era feito trimestralmente e espelhava metas a serem cumpridas a depender do produto: seguros, cobranças, cartões, aplicações, novos clientes. Também havia a obrigação de cumprimento de meta de 150% acima da estabelecida pelo banco, pois se um dos integrantes do núcleo não a alcançasse, a responsabilidade recaia sobre todo o grupo. LEIA TAMBÉM Justiça condena Santander a pagar R$ 1,5 milhão a funcionários de agências em Ribeirão Polícia investiga como dupla presa em Ribeirão Preto foi recrutada por facções no Sul do país Justiça torna réus denunciados por morte de engenheiro durante encontro em Ribeirão Preto Ainda segundo o depoimento, caso o funcionário não batesse a meta, também havia exposição perante os demais. "As cobranças não eram feitas individualmente, expondo demais os empregados. Diariamente existia essa reunião de cobrança de metas. Se não cumprisse a meta, havia ameaça de ser dispensado. A remuneração do depoente era variável, recebendo de acordo com o cumprimento de suas metas, o que significa que havia pressão pelo cumprimento das metas sob o aspecto emocional e também sob o aspecto salarial", diz trecho de relato apresentado. Ao g1, o Santander informou que vai recorrer da decisão. Disse também que 'respeita integralmente a legislação e possui diversos programas de promoção ao bem-estar, à saúde física e psicológica de seus colaboradores'. Perseguição e carteira 'podre' Também em depoimento ao MPT, um ex-funcionário disse que dois anos antes de se aposentar, protocolou pedido de estabilidade e, a partir deste momento, passou a ser 'fortemente perseguido pelo gerente da agência'. Segundo ele, os clientes que ele mantinha foram encaminhados para outros gerentes do setor, o que tornou 'quase impossível' o cumprimento de metas. "O gerente, nesse período quis que o depoente trabalhasse na recuperação de créditos, o que era muito diferente do que o depoente fez em toda a sua carreira, de modo que teve que recusar essa designação. Em razão disso, o gerente criou uma carteira 'podre' para o depoente, gerando muita angústia neste período pré-aposentadoria". Depoimentos 'falam' por si Ao argumentar a condenação ao banco, o juiz José Antônio Ribeiro de Oliveira Silva considerou os depoimentos contundentes, objetivos e cortantes e ressaltou a pressão psicológica de funcionários nas agências do Santander em Ribeirão Preto. "Os depoimentos 'falam' por si. São contundentes, objetivos, cortantes. O medidor denominado 'Super Ranking' está oprimindo os trabalhadores do banco a cumprirem não somente as metas impostas, mas a alcançarem um 'superávit' nas metas, de 150% a 200% sobre o teto. Isso é profundamente desumano. Se a meta já se mostra, em muitas oportunidades, inalcançável, imagine-se a pressão psicológica quando se exige que o trabalhador vá além da própria meta". De acordo com o Ministério Público do Trabalho, o processo aponta 68 autos de infração cometidos. Segundo o procurador Elisson Miessa, a ação serve para tentar reduzir o adoecimento no trabalho e acompanha a exposição dos empregados a riscos inerentes ao ambiente laboral. À Justiça do Trabalho, o Santander negou que haja exposição de funcionários a riscos químicos, físicos, biológicos e ocupacionais nas atividades bancárias e disse que, devido às fases de antecipação e mediação de riscos, não constam os riscos ocupacionais nos Atestados de Saúde Ocupacional. Os documentos juntados pelo banco -- Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e análise ergonômica de trabalho -- foram encaminhados para perícia do MPT. Se descumprir a decisão, o Santander deverá pagar multa no valor de R$ 50 mil por item, acrescida de R$ 5 mil por trabalhador prejudicado. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2024/04/12/super-ranking-e-metas-superiores-a-150percent-como-agiam-gestores-de-banco-condenado-a-pagar-r-15-milhao-em-ribeirao-preto.ghtml


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